GUNGA GUERRA REÚNE DEZ ANOS DE SUA PRODUÇÃO EM PRIMEIRA INDIVIDUAL NA ZIPPER GALERIA

Da Redação - podpopartzoom@gmail.com - @noticias.emcartaz

Drones de entrega sobrevoando tropas de choque, civis entre escombros e animais transformados em alegorias de violência compõem Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, primeira individual de Gunga Guerra em São Paulo. Apresentada pela Zipper Galeria, a mostra reúne uma década de produção do artista luso-afro-brasileiro, cuja trajetória foi marcada pelo deslocamento provocado pela guerra civil moçambicana. A mostra integra o programa Zip’Up.

Nascido em Maputo, em 1970, Gunga Guerra deixou Moçambique ainda criança em consequência da guerra. A família passou por Portugal, no período que antecedeu a Revolução dos Cravos, antes de se estabelecer no Brasil durante a ditadura militar. Dessa experiência de mudanças sucessivas emerge um dos eixos centrais de sua produção.

Embora parta de uma experiência pessoal, Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come dialoga com questões que seguem no noticiário global. Em suas pinturas, drones, tropas de choque, refugiados e civis em meio a escombros convivem com brinquedos, animais e personagens do universo infantil. O contraste produz imagens ambíguas, nas quais humor, estranhamento e violência coexistem e ilustram as formas contemporâneas de poder, controle e resistência.

O núcleo mais recente da seleção para a mostra aproxima a pintura da tradição dos retábulos portáteis. Nas obras Dano Colateral 03 e Dano Colateral 05 (2025), em acrílica e verniz sobre madeira, cenas de bombardeio ocupam o painel central, enquanto as laterais registram civis entre ruínas, deslocando o formato devocional para o noticiário de guerras.

Já em Drones do Amor (2026), realizada sobre uma antena parabólica, drones de entrega com caixas marcadas por corações sobrevoam uma ação da tropa de choque. O suporte, ligado à transmissão de sinais e imagens, amplia a reflexão sobre os modos como a violência circula, é mediada e consumida no cotidiano, aproximando conflitos armados dos sistemas de comunicação contemporâneos.

Nas pinturas realizadas entre 2016 e 2023, agentes blindados e cenas de conflito dividem espaço com criaturas do universo infantil e objetos associados ao brincar. Em O Unicórnio (2023), policiais esticam uma boia inflável diante de uma criança, convertendo um símbolo de proteção em ameaça. A mesma lógica aparece em A Prisão do Golfinho Feliz (2020) e Mico (2019), em que um policial marcha com um macaco de pelúcia.

Em outros trabalhos, a crítica assume um caráter mais alegórico: rinocerontes avançam contra barreiras em Enfurecidos #1 (2017), enquanto Briga de Galo (2016) e Um Dia Comum (2018) aproximam comportamento coletivo, instinto e conflito social. Completam o conjunto Mais Educação Menos Opressão (2018) e Não Corra que Eu Vim Buscar Sua Alma (2021), nas quais palavras de ordem e inscrições pintadas à mão incorporam ao espaço da pintura o repertório visual das manifestações de rua.

A partir dessa perspectiva transnacional, o artista investiga os impactos dos processos históricos sobre a vida cotidiana e como memória, identidade e violência atravessam indivíduos e comunidades.

Com formação em Comunicação Social e atuação como diretor de arte em emissoras públicas de televisão, Guerra desenvolve também dioramas, animações e projetos multimídia premiados no Brasil e no exterior.

Sua relação com a Zipper remonta a 2017, quando integrou o 8º Salão dos Artistas sem Galeria, em um circuito de espaços que incluiu a casa paulistana. Agora retorna por meio do Zip’Up, programa dedicado a artistas emergentes ainda não representados por galerias paulistanas, que desde 2011 já apresentou mais de quarenta exposições e cerca de sessenta artistas.

Sobre o artista

Gunga Guerra (Maputo, Moçambique, 1970) vive e trabalha em Niterói (RJ). Pintor e artista multimídia luso-afro-brasileiro, desenvolve uma produção que articula temas como deslocamento, memória, identidade e violência social por meio de uma linguagem que combina referências da cultura popular, do universo infantil e do imaginário animal.

Bacharel em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e com MBA em TV Digital e Novas Mídias pela Universidade Federal Fluminense, atua entre pintura, diorama, arte digital e animação. Realizou as individuais Refúgio (Sesc Niterói, 2018) e ZOOMANOS (Galeria ICG, Niterói, 2016), além de participar de exposições como COEMERGÊNCIAS (Paço Imperial, Rio de Janeiro, 2024) e Levantes Amazônicos (SESC Ver-o-Peso, Belém, 2024). Em 2022, recebeu o primeiro lugar no Prêmio Arte em Português e o prêmio aquisitivo André Rebouças, da Fundação Cultural Palmares. Suas obras integram coleções como as da Fundação Cultural Palmares e do Museu de Arte de Santa Maria (RS).

Mais Informações:

Zip'Up: "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come"

Zipper Galeria –  R. Estados Unidos, 1494, Jardim América, São Paulo

Abertura:  18 de junho de 2026

Visitação: 19 de junho a 01 de agosto de 2026

Horário: segunda a sexta, 10h às 19h; sábados, 11h às 17h

Contato: zipper@zippergaleria.com.br 

+55 (11) 4306 4306



Comentários