MAXIMALISMO | MENOS PADRÃO, MAIS PERSONALIDADE: DESIGN DEIXA DE SEGUIR TENDÊNCIAS E PASSA A CRIAR PERTENCIMENTO

Da Redação - podpopartzoom@gmail.com - @noticias.emcartaz

Em um cenário dominado por estéticas neutras e padronizadas, o maximalismo surge como linguagem de expressão e identidade. Esse foi o ponto central da palestra “Maximalismo como linguagem e emoção”, apresentada pela arquiteta e urbanista Carol Dal Molin durante a 16ª edição da ABCasa Fair, maior feira de artigos para casa e decoração da América Latina, que está sendo realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, até o dia 11 de fevereiro. 

Com mais de 11 anos de atuação e 300 projetos de alto padrão realizados no Brasil e no exterior, Carol compartilhou sua visão autoral sobre como o maximalismo pode ser aplicado de forma equilibrada, sofisticada e atemporal, sempre partindo de uma escuta sensível do cliente e de uma curadoria precisa. “Maximalismo não é bagunça nem excesso aleatório. É informação organizada. Quando o clássico encontra o contemporâneo, o resultado transcende o tempo e redefine o conceito de sofisticação”, afirmou a arquiteta.

Criada durante a pandemia, a empresa carioca Dani Enne, expositora do evento, se consolidou no mercado de decoração autoral com peças em cerâmica feitas artesanalmente e reconhecidas pelo uso ousado de cores, formas expressivas e uma estética maximalista. “Nossas peças são feitas à mão e carregam histórias. As pessoas estão cansadas da falta de cor e de identidade. Mesmo em ambientes mais neutros, uma única peça de destaque já transforma o espaço e cria conexão com quem vive ali”, afirma Uelinton Ferreira, representante da marca. 

Em pouco tempo, o ateliê ganhou destaque ao transformar objetos utilitários em peças de design colecionáveis, sempre com forte apelo artístico e narrativo. A marca também integra a decoração da casa do Big Brother Brasil, levando sua linguagem autoral para um dos cenários mais vistos do país.

Nesta edição da ABCasa Fair, a Dani Enne reforça sua identidade criativa ao apostar em novas formas inspiradas no universo animal, como besouros e joias reinterpretadas em cerâmica, além de canecas com anéis esculpidos. “Esses são alguns dos itens mais procurados pelo público até agora. Acredito que os detalhes fazem a diferença, agregando valor e sofisticação às peças.”

Como usar na prática

Nos projetos apresentados, Carol Dal Molin destacou a força de referências arquitetônicas clássicas, como boiseries, molduras e lambris, integrados a soluções contemporâneas e obras de arte. O resultado é uma estética que acolhe o maximalismo em doses precisas, criando ambientes sofisticados, emocionais e profundamente autorais. “O meu objetivo é criar ambientes reais, onde cada detalhe transmite acolhimento, identidade e pertencimento”, explicou. 

A arquiteta compartilhou uma dica prática para quem deseja incorporar o maximalismo aos projetos: manter o equilíbrio. Segundo ela, o ponto de partida está em definir uma base de cor e materiais que conversem entre si, criando continuidade entre os ambientes. “Não precisa virar um carnaval. Escolho um elemento que se repete e se conecta de um espaço ao outro. Isso traz unidade e evita que a pessoa se sinta perdida na composição”, explicou. O uso do mármore como base, por exemplo, permite brincar com estampas, texturas e cores ao redor, criando riqueza visual sem excesso.

A Lucatti Artes e Decorações apresentou no evento uma curadoria criteriosa de peças importadas, desenvolvida a partir de uma leitura atenta do que funciona no mercado brasileiro. Somente para esta edição do evento, a marca trouxe mais de mil novos produtos, reforçando sua aposta em uma estética alinhada ao maximalismo contemporâneo, com peças que exploram cores, formas expressivas e elementos de forte impacto visual para fugir do padrão. Para Carolina Facchinetti, arquiteta e gestora de conteúdo da marca, o movimento reflete uma virada estética e estratégica.

“Nossa última coleção foi mais minimalista e, agora, entramos em uma fase mais artística e moderna. Apostamos em formas variadas e peças de maior escala, mas sem perder o acolhimento. É sobre como cada elemento, quando pensado em conjunto, constrói a experiência do nosso consumidor. São esses detalhes que, dentro de uma produção bem curada, realmente chamam a atenção”, afirma.

A arquiteta também destacou a importância do ponto focal, aquele elemento que atrai o olhar e traduz a identidade do ambiente. O estilo não deve ser encarado como tendência, mas como uma forma de construir espaços singulares e cheios de vida. “Cada espaço precisa criar uma cena marcante e única. O maximalismo é sobre se jogar, mas com intenção. Hoje em dia tudo parece igual, pasteurizado. A casa precisa refletir quem mora ali. Não é sobre impor um estilo, é sobre ter liberdade para expressar o que ama”, afirmou.

Outra dica é começar a ousar pelo lavabo, um ambiente estratégico para experimentar cores, estampas e materiais com mais liberdade. “É um espaço perfeito para quem tem medo de arriscar no resto da casa. Assim, as pessoas vão entendendo aos poucos que luxo é ter um ambiente onde você se reconhece, seja para receber ou para se recolher. É sobre criar rotinas e espaços que façam sentido para quem vive ali. É sobre vida! As pessoas viajam, veem coisas lindas fora. Aí eu te pergunto: por que não trazer isso para dentro de casa? Se você gosta, não há motivo para ter medo de criar um ambiente acolhedor e cheio de personalidade”, concluiu.


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